21.12.06

Hospital II

Esta espera não se sabe bem pelo quê é deveras angustiante, especialmente quando não há qualquer espécie de indicação seja em que sentido for...
Ao fim de horas, o azul-roxo das paredes já enjoa, todas as cadeiras são desconfortáveis e as conversas que se escutam ao longe, insuportáveis.
A minha falta de simpatia para com estes lugares, combinada com a minha cada vez mais notória e notada falta de paciência para fretes e esperas não facilitam a travessia destes momentos.
Como coisas boas, o avanço na leitura e esta escrita que pratico, como se de algo importante e inadiável se tratasse.
Ao meu lado, a doença faz o seu trabalho, desgastando e desesperando quem a carrega – uma boa altura para se perceber á evidência as vantagens de se ser saudável e por isso agradecer aos deuses do panteão ou aos do código genético ou da robustez imunológica.
Ver o modo como a doença trabalha, dá acrescida motivação para se procurar a sua nemésis, a saúde.
Provavelmente com coisas pequenas se conseguem evitar males maiores, mesmo que algumas dessas pequenas coisas obriguem a sacrificar luxos supérfluos.
Cada vez mais me parece que a minha “decisão de Ano Novo” antecipada, de apostar mais na minha saúde, nas suas diversas faces, é uma aposta necessária, isto se pretendo ter mais uns tempos de bem-estar de futuro, ainda que em sacrifício de algum prazer mais contemporâneo e imediato.

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